domingo, 15 de abril de 2012



“Tudo que começa, involuntariamente, termina. Devemos guarda isso no porão, embora doa. Guarde meus carinhos, que entre tantas coisas, foi o que fez nosso amor criar raiz.”


                                           Querido, Zé.

             No fim daquela tarde, voltei na praça aonde juramos que seria eterno. Em frações de segundos, se passaram toda a nossa historia ao redor da minha cabeça. Como nos conhecemos, como nos tornamos conhecidos, como nos tornamos amigos e amantes. Lembrei da forma como brincava com o meu cabelo e como adorava me ouvir cantar no outro lado da linha. Por mas que minha voz não fosse lá essas coisas. Lembrei dos textos que fazia pra você —  E meu Deus! Como eu era melancólica, menino. Será que foi por causa disso que me deixaste?
             Mas tenho que te dizer, andei mudando tanto, Zé. Aquela menina cresceu tanto. E acredita que aquele coração de manteiga que chorava por tudo — Você já dizia. Virou uma pedra? se encostar, até doí de tão solido que ficou. E não poderia deixar de aproveitar essa fase solida, pra escrever minha ultima carta para você. Ou achou que com toda aquela historia de mocinho e mocinha, não haveria um ponto final. Um fim? Esta enganado, meu bem. Se bem, que, como terminar uma historia? Como por em um papel em branco, todos os meus sentimentos guardados, desde a ultima primavera?
             Devo então começar, mencionando, a saudade que sentia de ti — que hoje já nem sinto mais. Teve um dia ai, que acordei toda molenga, mas parecia uma gelatina do que qualquer outra coisa. Passei o dia todo escutando aquela banda que gostamos e sentindo um vazio terrivelmente avassalador. Sem entender o porque, fui no Shopping passear um pouco. Observei cada pessoa naquele enorme espaço, observei os casais, as crianças, os adultos… E minha nossa! Parecia que eu estava em um outro planeta, entende? Fui correndo pra casa atrás de algum consolo ou de algo que pudesse me tirar a atenção daquele dia tedioso. E me deparei com a nossa foto na cabeceira da minha cama, e então foi ali que entendi, que aquele dia tedioso, era na verdade, um dia de saudade. Passei a noite toda escutando nossas músicas e lembrando de tudo que passamos naquele verão na Itália. Depois daquele dia, a saudade foi se tornando mas frequente. Tinha dias, que dava vontade de ir falar contigo, discava teu nome na agenda, mas e a coragem? Quem disse que ela vinha? Tinha vezes que pensava que não iria aguentar — E não é que aguentei?. Mas ai os dias foram se passando… E no outro dia, já não tinha mas vontade de te ligar, no outro, acabei apagando as tuas mensagens. Na outra semana tirei todas as músicas da qual me lembrava você, no meu mp3. E no outro mês, já não mencionava seu nome na minha roda de amigos. E por assim, os dias foram se passando, as lembranças foi se tornando menos frequentes e por assim, comecei a não senti mais saudade d‘ocê. Será que é assim que começamos a esquecer? Esquecendo das lembranças, das palavras, das promessas e até do cheiro?
             Tinha tanto medo de uma hora isso acontecer, Zé. D’eu esquecer de tudo! De tudo que passamos, de tudo que fomos um pro outro. Esquecer de todas as sensações que me fazia sentir. Nunca imaginaria que seria tão chato esquecer alguém.
             Enfim Zé, vou concluir essa carta, por que já estou ficando exausta de não ter mas nada pra pensar. O que acontece, é que resolve parti pra outro capitulo desse meu livro tão arremedado, aonde a tantas décadas o assunto principal era você. Repensei muito no que te dizer nesse espaço final. Mas na verdade, não preciso te dizer nada, você deve estar sentindo o que estou sentindo agora ao tocar no espaço branco cheio de escritas, aonde minhas mão soa agora. Deve estar sentindo aquele friozinho, aquela sensação de algo estar chegando ao fim…. É estranho, né? Me sentir assim esses últimos meses e só agora d’eu coragem de vim escrever pra você.
            Cuide-se! Pode fazer isso por mim? Eu sei que pode. Se cuida Zé, e guarda, guarda essa carta pra lembrar de tudo o que fomos um dia e de tudo que deixamos de ser. Certo? 

                        Com um enorme carinho, Sua eterna Lisbela

Clara Rangel.

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