quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Da minha alma, algumas palavras:

"Não estou suportando mas, querida. Queria poder gritar, berrar, colocar para fora tudo que anda me angustiando, me matando e me ferindo por dentro. Queria poder berrar o que tanto descrevo no papel, mas que ninguém consegue escutar. Ninguém para pra escutar-me... Então, silencio-me. 
Estou farta. Exausta. Sofrida."
Sophia.

domingo, 21 de outubro de 2012

Vivendo o mundo em voz baixa.

ㅤOlhando-me no espelho, percebo a nitidez das minhas palavras: elas são mudas. No vazio daquele quarto escuro, meus gritos silencia a casa à dentro. Ninguém escuta-me. Minha voz se desfaz no ar, a escuridão se adentra em minha alma, e pouco vale o meu grito, ninguém escuta-o. Assim, quase perdendo a voz, guardo pra mim, as incertezas de uma vida quase-vivida e as duvidas dos tropeços e atropelos que ela me causa. 
Durante horas fiquei sentada ali na frente do espelho, olhando-me como se estivesse casando algo dentro da minha alma que desde então, não reconhecia ou mal sabia o que era. Agora, mais do que nunca, a vida estava cabendo em mim numa proporção que esvaziava meu peito. Oco, porém totalmente preenchido por quem um dia fez-me sorrir; solucei até sentir a ultima lágrima rolando fortemente e devagorosamente pelo rosto. Estava me tornando seca. Sem lágrima alguma.
Em algum lugar perto de Virginia, sabia que iria encontrar alguém que cabece em mim. Cabece nesse abismo sem fim, onde se purifica e se transforma a cada nascer do sol. Sem brilho e sem luz talvez, porém, repleto de desejo de se fortificar e crescer cada vez mais e mais. 
Porém, aqui pela redondeza ninguém desconfia dessa forte tristeza que bate meu peito todos os dias, dessa sensação de morte na boca e da falta de chão que muitas vezes me adentra a cair. Talvez, eu não deixe transparente essa luta em abrir os olhos, por saber que tão forte seria os julgamentos. Pobre julgada seria, mal sabem. Mal sabem, que quem vive de um amor despedaçado, em pedaços tenta se sobreviver. 
Mas no fim você coloca um sorriso no rosto e finge que é sincero, até que a vida o faça realmente ser.

- UMA OBSERVAÇÃO PEQUENA -
PORÉM DIGNA DE NOTA:

Vivendo o mundo em voz baixa, morro todos os dias.

... Mas é que eu sou uma menina de olhos vivos e coração aflito.
É que eu sou uma menina quase velha de tanta esperança...
É que sou também irreprimível, incontrolável, deslumbrada fugitiva da própria consciência.
Incontestavelmente, um caso perdido.
Mas posso ser compreendida. Um só olhar me abrange inteira.
O que eu não posso - e isso até já tentei - é ser desvendada.

Shopia, aos olhos dá Clara.

Pertence a mim, apenas em mim.

Eu tenho medo de me apaixonar. De ficar totalmente enlouquecida e escutar Chico Buarque bêbada rodopiando no quarto, e sentir que vou morrer da explosão de tanta vida condensada em mim. Eu tenho medo de me apaixonar romanticamente, de sentir essas correntes telúricas que sempre anunciam uma catástrofe de proporções jamais vistas. Eu tenho medo desse amor de não saber. Desse amor que dá costurar as horas e os minutos e os dias numa rede inextricável de dúvidas. Desse amor que transforma a gente em tocha humana, em manteiga humana, em trapo humano. Em humano. Eu tenho medo de me apaixonar e passar a me alimentar de uma coisa que só traz cada vez mais fome, e de ser consumida por essa fome, e de virar bicho com fome. Ou virar depósito pra uma tonelada de ausência. Eu tenho medo, pavor de frio na bexiga, de frio nas mãos, de coração borbulhando a 300 graus Celsius. Eu tenho medo da minha vida inteira ser esticada num pêndulo que vai da loucura à plenitude. E de adoecer. Eu tenho medo de ser acometida por essa doença braba que nem sempre contagia quem a gente quer. Eu tenho medo de não ter uma mão pra segurar. Da insegurança que dá. Da burrice pela qual tanta gente admirável é vitimada. Tanta gente linda à mercê de um vírus. Tanta gente boa à disposição triste de esmolas afetivas. Não quero isso pra mim. Eu tenho medo de ter tanto medo ao ponto de nunca mais querer sentir, nem por quem valha à pena. Eu tenho medo de que esses quelóides em minha alma jamais deixem que minha sensibilidade retorne. Eu tenho medo de ver meu peito jazer inerte por não suportar a propulsão de um afeto brusco. De que as partes que restarem da destruição não reajam doloridas e vivas. De nunca mais ninguém me tirar de mim, de nunca mais mergulhar num olhar até perder o fôlego. De nunca mais me dissolver no corpo de ninguém e nunca mais escorrer pelas vias que levam a gente ao infinito. Eu tenho medo de me apaixonar e não aprender nunca, pequena que sou, que de paixão a gente não morre, a gente renasce.
Shopia.

Uma explosiva sofredora de paranoias.

Tenho uma mania terrível de fantasiar situações que me causa mal, derreto-me imaginando que posso perder as borboletas do jardim ou o brilho do sol na minha varanda. Tola, mal consigo perceber que o sol desde sempre, nunca saiu daquela posição no jardim e muito menos as borboletas, elas estão sempre ali, como se fossem uns anjos da guarda afins de me proteger e guardar consigo todos devaneios de uma vida de fartos pesados. Aconteça o que for, elas estão lá. Impercebidos. Intactas. Sem mover nem mesmo as asas, apenas a alma intacta ali pra fazer-me companhia e aboletar as cores vivas que se criam dentro do meu estomago.
Porém, embora essa certeza viva, seja onde for dentro do meu peito, consigo acabar com qualquer vestígio de certeza que possa existir. Medo. Medo de perder mas uma vez algo que esteja nas minhas mãos, é como dizem: quando cuidamos com muita força de algo que esteja no meio de nossas mãos, impercebíveis acabamos deixando escapar. Eu sempre deixo as pessoas escaparem de mim. "Céus, como eu não quero perde-lo" - pensei. 
***
Tenho medo, que por tê-lo pousado no meu dedo feito uma borboleta, ele voei... [mesmo sabendo que hoje, ele viva no meu jardim.]

Clara.

sábado, 20 de outubro de 2012

Lembranças insaciáveis.

  Os lembretes no espelho sorriam como se fossem sair do papel, havia algo que teria que ser dito, lido, lembrado. Algo que adentrasse na alma alimentando toda faísca de purpurina que cremava à euforia que vivia por dentro. Sentia vontade de chorar, mas não saía lágrima alguma. A vida tinha lhe feito pedra, a vida tinha secado-lhe e o sabor da vida havia derretido em sua boca. Tentava achar-se, mas pouco se encontrava. Havia algo que sempre à colocava no passado, algo que lhe puxava até lá. E embora o Chales tivesse vivido em seu passado, não era tão bom relembrar todas as suas cicatrizes e desvenda da vida. Uma volta ao seu passado lhe dava calafrios, assim como uma imensa dor no seu peito. 
  Doí saber que sua vida foi bordada de cicatrizes e de marcas que nem mesmo com o tempo, conseguem ser lembradas. Talvez fosse isso que fazia-á não conseguir seguir em frente; pós, havia sempre algo que lhe puxava pra trás. 
  E é nessas lembranças insaciáveis que ela se alimentava pra no fundo saber-lhe que poderia vir-lhe quantas lembranças fossem, mas jamais apagariam o que outrora, lhe fez viver.
                                                                                                            Assinado, Shopia.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Meu herói sem capa.

ㅤNão havia pássaros, não havia flores, o sol se fora, não havia ninguém. Sem controlar meus impulsos, peguei uma folha de papel, uma caneta preta, e deixei minha alma falar por mim. Séria apenas mais uma carta, ou, à últimas delas:



Por fim, a única coisa que conseguia sair era o soluços acompanhado das lágrimas no meio daquele abismo sanguentado. Aquela era uma dor que não seria curada e muito menos cicatrizada. Da sua partida só ficou a dor, o vazio e o sangue pela casa. 

A sua falta doía, dilacerava, rasgava meu peito adentro. Afundei, sufoquei-me, morri.
                                    
                                                                                                                                        Shopia.

Está tudo tão cheio de vazios.


Meus olhos se curvaram diante do que estava à minha frente. Minhas pernas começaram a bambear, à ficarem trêmulas. Apoiei-me em uma cadeira que estava ao meu lado, senti um calafrio em todo meu corpo. Fui à Saturno e voltei. Ou pelo menos, me senti em outro planeta. Minha mente não obedecia meu coração e meu coração não obedecia minha mente. Tudo se contradizia naquele instante. 

Ao meu lado esquerdo, havia a cadeira na qual eu me apoiei. E ao meu lado direito, havia o nada, a escuridão, a sombra, o silêncio, a morte. 

As minhas lágrimas derramadas de nada valiam naquele momento. O meu grito se silenciou. Derrepentemente me vi olhando pra mim mesmo. Era como se minha alma havia saído do meu corpo e lá de cima, eu observasse aquele mar sanguentado. Nada mas fazia sentindo, quando observei aquela moça que a muito me completava indo embora da minha vida. Tudo que outrora, me atormentava, voltou a me assombrar. Dizem que essa é a marca que um grande amor deixa logo após sua partida: o vazio.  

E por mas que eles lá fora tentasse entender o que aqui dentro se passava, tudo vira vago e subentendido. Lá fora tudo estar claro, mas aqui está escuro demais pra mim ver. Olho pro lado, e devagorosamente, olho pro outro. E me pergunto como será minha rotina daqui pra frente, como será meus dias sem nossas cartas trocadas, sem as jogadas de xadrez ou até mesmo sem o chá da tarde. Sua presente ficou tão tatuada na minha alma, que agora por mais que eu tente me livrar das lembranças, seu cheiro ainda está vago pela casa. Sinto-lhe aqui, vivo, ainda permanente em cada comodo da casa. E por mas que eu tente livrar-me de ti, o vazio que me deixaste, tenta me lembrar ainda mais. 

Ah se fosse só as lembranças dolorosas! Mas tem algo a mais. Sempre tem algo a mais. Tem o nosso amor que bordamos com flores e cores, tem os beijos, os abraços, as cartas que mesmo indo embora nas cinzas, ficaram marcadas no meu coração, e acabo lembrando-as gravemente na memoria. Por mas que eu tente, meu bem, você ainda mora em mim. 

E sei que o relógio ainda vai rodar muito pro tempo levar-te de mim… 

Clara Rangel

terça-feira, 22 de maio de 2012

Nós.




      Ter-te novamente entre meus braços foi ter me proporcionado o voou dos pássaros novamente. Pude enfim, voltar a ensaiar a canção dos risos e permite-me a metamorfose da vida; assim como a Fênix, renasci das cinzas. Fecho meus olhos e rapidamente me vejo voando sobre seu mundo, desde que te conheci, comecei a admirar mais o teu mundo do que o meu. Talvez pelo fato daquele mundo ser o que sempre desejei viver e morar. E em frações de segundos, me vi vivendo o teu mundo e morando nele bobamente apaixonada. E quando me vi apaixonada pelo teu mundo, me vi apaixonada por tudo que concretizava tua vida. Tudo que você tocava ou passada, me fazia dá suspiros só por saber que de alguma forma, aquele minimo momento teve um pouco de você.

       Os dias foram passando e eu me vi cada dia mais neutra e tatuada ao teu mundo. Foi por isso, meu bem. Que quando partisse, deixaste um profundo abismo no meu peito. Os meus dias, que depois dos teus beijos, viraram multicoloridos. Deram lugares ao cinzento. Ao preto. Ao neutro. Ao vazio. Ficou-me só a certeza que por pouco tempo, o relógio que aqui batia devagorosamente, outrora, batia feliz por ter-te do outro lado da cama. Eu perdi a vontade de me levantar nas manhãs e troquei meu dia pela noite e minha noite pelo dia. Fui me apoiando no que via pela casa e a única sensação que podia sentir naqueles dias frios, era a sensação de morte na boca. Mas dizem Charlie, dizem as boas linguas. Que o que é bonito volta. E você voltou. Dizem, que o que bonito permanece. E você permaneceu.
        Vesti o meu vestido azul-beber, coloquei minha fita branca azulada e meu colar de passarinho que vosmecê me deu no natal passado. Sentei-me no sofá e depois de alguns minutos a companhia tocou; era você. Corri pra abrir a porta o mais rápido que pude, desprezando quaisquer coisas que poderiam estar ao nosso redor. Nossos lábios se uniram o mais rápido depressa. Havia eternidade em nossos lábios e felicidade em nossos olhos. Eramos nossos mais uma vez e isso bastava. Bastava-me. Sustentava com dificuldade os ombros arqueados e os olhos esvaecidos que o tempo havia levado embora. Toda a casca de ferro que vosmecê havia colocado sobre nossas almas, derreteu-se. Ficamos sentados no sofá, olhando pra TV, como se o silencio falasse por si e como se nós falássemos pelo silencio. Aquilo era tudo que eu precisava; você do meu lado, segurando minha mão, como se focemos dois mocinhos dos anos noventa.
         Estava frio e derrepentemente vi o seu corpo colando-se ao meu. Seus lábios no meu pescoço e suas mãos nas minhas coxas faziam meu coração palpitar escandalosamente. Você tem um efeito sobre meu corpo que o faz dono até das minhas unhas. Você ainda não possuí meu corpo. Mas minha alma é sua e asse corpo virgem, semi nu, era o presente que uniria nossas almas. É por isso que o espero e vice versa: nossa alma é uma só e daqui a algum tempo, nossas corpos também será. Assim como nossa vida. Assim como eu e você. Nós. Sempre.
        Está fazendo frio lá fora, mas você me aquece aqui dentro…
Clara Rangel.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Marcas da minh'alma.


     Estou farta de escrever coisas tristes, principalmente em sentir coisas tristes. Juntou uma bola de dor na minha garganta, que a cada segundo, me sufoca mais um pouco. Uma tristeza sem tamanho, uma vontade de não levantar da cama. Medo, é só isso que consigo sentir além da saudade do que eu era antes de te conhecer; que me invadi a boca, até os pés. Sinto medo que essa sensação tão desesperadora, não passe rápido, medo desses últimos dias — que cá entre nós foram os piores possíveis, sesse ou se multiplique mais e mais. Medo, é essa a sensação que deu lugar ao meu coração. 

     Algumas pessoas me olham na cama com meu coração imobilizado, e acham que é dá minha fúria vontade, permanecer ali; daquele jeito. Coitados, pouco eles sabe que cada suspiro é uma vitoria pra mim, cada passo é como se fosse uma montanha escalada. Porque no fundo é isso mesmo; cada passo uma montanha escalada. Um obstaculo vencido. É como se eu voltasse ao meu um ano de idade e começasse a aprender a andar, a falar, a comer, a lidar com minhas próprias pernas. Desaprende a viver e hoje, cada passinho, seja ele pequeno ou grande, é uma grandiosidade ao meu ver. 

     Vosmecê deixou marcas profundas em mim... Cicatrizes tão permanente, que ao olhar-me no espelho, ainda consigo lembrar-me da facada que tu me deste naquela noite. E de todas as marcas que me deixas-te, a que mais faz doer; é saber que eu tenho que te esquecer. 

Clara Rangel.

quinta-feira, 26 de abril de 2012


Não me reconheço mas, ando sentindo sensações estranhas e medo avassaladores. Não que antes eu não sentia, mas dessa vez é diferente. Ando mais seletiva, entende? Ando arrumando cada coisa no seu lugar,. Talvez seja uma forma d'eu ter encontrado pra mim privar de algumas magoas e pontapés da vida. Mas enquanto eu não consiga controlar ou até mesmo entender essas sensações que hoje habita aqui, vou ficar meia torta mesmo, fora do lugar. Afinal, foi de pouquinho em pouquinho que criaram um remoinho. .


Clara Rangel.