ㅤTenho uma mania terrível de fantasiar situações que me causa mal, derreto-me imaginando que posso perder as borboletas do jardim ou o brilho do sol na minha varanda. Tola, mal consigo perceber que o sol desde sempre, nunca saiu daquela posição no jardim e muito menos as borboletas, elas estão sempre ali, como se fossem uns anjos da guarda afins de me proteger e guardar consigo todos devaneios de uma vida de fartos pesados. Aconteça o que for, elas estão lá. Impercebidos. Intactas. Sem mover nem mesmo as asas, apenas a alma intacta ali pra fazer-me companhia e aboletar as cores vivas que se criam dentro do meu estomago.
ㅤPorém, embora essa certeza viva, seja onde for dentro do meu peito, consigo acabar com qualquer vestígio de certeza que possa existir. Medo. Medo de perder mas uma vez algo que esteja nas minhas mãos, é como dizem: quando cuidamos com muita força de algo que esteja no meio de nossas mãos, impercebíveis acabamos deixando escapar. Eu sempre deixo as pessoas escaparem de mim. "Céus, como eu não quero perde-lo" - pensei.
***
ㅤTenho medo, que por tê-lo pousado no meu dedo feito uma borboleta, ele voei... [mesmo sabendo que hoje, ele viva no meu jardim.]
Clara.
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