"Trago nas mãos, um lapis e um papel em branco para escrever-te — o que talvez seja as minhas ultimas palavras. Me peguei pensando em você, olhei pro lado e devagorosamente me veio um clarão. Achei que era seu sorrizo, mas me deparei com o sol brilhando ao longe me indicando a direção que me levava até você. Que eficaz! Pensei. Sempre que olhava pro sol, conseguia me enganar ao ponto de imaginar que um dia poderia, talvez, ter-te entre meus braços. Mas não adiantava, eu me prendia ao sol e dali até o fim do dia, imaginava vosmecê entre meus braços, pondo a cabeça sobre meu ombro e minhas mãos na sua nuca, lentamente, te fazendo carinho. E aí estava a resposta de toda aquela dor no fundo do peito; eu só poderia imaginar-te. Não podia te tocar, te beijar e muito menos tocar teu corpo. Torturante, torturante demais não poder tocar a moça que levava consigo, o coração desse podre cowboy. Mas de qualquer forma, ela sabia; meu coração, assim como a minha alma, eram dela, eram da minha mocinha."
Clara Rangel, em “Mocinha.”.
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