Pudera eu fechar os outros e
esquecer-me de tudo que havia acontecido, pudera eu poder apagar toda dor que
ficou intacta dentro de mim e cicatrizar toda ferida percorrida sobre minha
pele. Pudera eu, dorme e no dia seguinte olhar-me pra janela, e ver a beleza
que tem o sol ao amanhecer. Tudo que enxergo quando olho pra janela, é uma dor
nos olhos e uma fraqueza, que francamente, é melhor continuar na cama. E é isso
que ando fazendo, acordo é uma e meia da tarde, as três volto a dorme e só
acordo quando já é oito horas da noite, as duas da manhã volto a dorme
novamente, e por aí vai... Permaneço na cama, porque talvez seja minha
tentativa frustrada de tentar esquecer um pouco, só um pouquinho, tudo que anda
me perfurando e rasgando meu coração. Está difícil, digo-me sempre que olho pro
espelho. Não adianta iludir-me achando que as coisas vão ficar fáceis. Não vão,
e sabe por quê? Porque meu corpo está em carne viva, minh’alma foi embora e meu
coração. Bem, meu coração não existe mais Charlie.
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